domingo, 24 de março de 2013

Toni


(100% fictício qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)


Quase todo mundo com um pouco de cultura geral conhece o Toni.


Bem, para quem não o conhece, Toni é uma versão moçambicana de Don Juan,  é aquele que  varreu toda a cidade das acácias e arredores. Como ele próprio diz prego não escolhe madeira. Todos os gajos com irmãs de idade compreendida entre os 16 e 25 anos certamente o conhecem, e não lhes agrada nada a imagem que eles têm dele. Os que tem irmãs e não o conhecem podem ficar relaxados que não tarda muito.


Não que ele seja o modelo masculino da famosa deusa Afrodite, mas cá para nós ele não é de se jogar fora. Seus 1.82m de altura e 78kg bem proporcionados, com uma pele suave de um castanho muito claro que encobre nos braços bícipes e tricipes bem Torneados, não deixam que ele passe despercebido diante das mulheres.


Dizem que auto elogio não conta mas ora vejamos de onde vem toda essa audácia.


Eu caminhava solitariamente e distraído pelas ruas da cidade quando derrepente senti alguém puxar me de traz pelo braço:- Xiii Toni, estás surdo ou que? Estou a chamar te a muito tempo e tu me igoras, nem sequer olhas para traz.


Virei-me, fiquei hipnotizado, mas mantive a calma. Pisquei 1000 vezes, respirei fundo, tentei disfarçar o meu transe hipnótico mesmo assim gaguejei.


- Desculpe me. Estava com os auriculares no ouvido e não te ouvi...Inventei essa e outras mil desculpas. Acho que uma delas deve ter servido. Porque senão a Márcia não me teria convidado para ir ‘a casa dela.

Márcia é a minha vizinha do terceiro andar. 2 anos mais velha que eu. Acredito que é 7Cm mais baixa que eu. Mas o que ela não tem em altura tem o triplo em beleza. Todos os vizinhos babavam por aquela escurinha. Acredito que não sou o único que já teve sonhos molhados ejaculando sobre aqueles seios circularmente perfeitos
.

Convidou e eu fui. Serviu me um sumo de laranja com dois cubos de Gelo. Apesar de se passarem 2 meses. Lembro-me nitidamente como se fosse a 30 minutos. Confesso que eu estava meio tenso. Era essa a oportunidade com a qual eu sempre esperei para afundar o martelo na minha vizinha gostosa.

Márcia entrou no banho e me deixou ali na sala com a companhia do sumo de laranja e 5 biscoitos.Depois de 10 minutos ela sai com o cabelo todo molhado e cobria aquele corpo escultural somente com uma toalha branca com desenhos de uns morangos.

Aquilo me pôs em estado máximo de excitação. Levantei-me e cheguei perto dela. Senti o cheiro do champô na sua pele. Confesso que não há melhor afrodisíaco que ouvir ela cochichar nos meus ouvidos. -Toni, hoje eu quero a Tí. Quero que me faças o que fazes as outras meninas. Quero ver se tudo o que as outras vizinhas dizem sobre os teus dotes na cama é verdade. Hoje é a tua chance de me mostrares o que vales.


Dei dois passos para trás e quase tropecei. Abri a porta sem lhe despedir, subi as escadas e fui para minha casa.Esqueci-me de dizer no Inicio do texto. Toni não suporta ser a presa, Toni é o predador. É assim que é. É assim que Sempre foi assim, e é assim que sempre será. 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

GLÓRIA (DANÇAS DE MINHA TERRA )


Dançarino aparece
e em seus pés fermenta
rítmica sensatez involuta,
que grita como ementa
levanta dança....

Glória danças de minha terra,
abrem o orgasmo da alma
que pelo Ntsayo clama
levanta dança...

Rítmicos tambores ressoam
glória danças de minha terra
e dançarino grita,
Mapiko! Seu corpo negro efervesce
e o chão estremece

Oh! levanta dança
e ainda ouvem-se sons em penumbra
das danças de minha terra
Nganda , Ntsiripuit, Nyau
confiscado tufo deslumbra
oh! Levanta dança,
Glória a marrabenta não esquecida
dança de minha terra merecida.


Por Ana Goetsa

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Escrevo (de Ana Goetsa)



Escrevo do fundo do coração
ao soar de uma bela canção

Escrevo!
sentimentos guardados profundamente
num canto recôndito de minha mente
 lanço o perfume de mim própria

Sinto uma vontade inexplicável
de arrebatar o que tenho dentro de mim,
Soltar meu balbuceio
em tempo sem anseio

Escrevo por desespero,
desespero de minha própria consciência,
que precisa tirar a essência
de  um âmplo e meigo sentimento.



Ana Goetsa 



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Meu Vizinho do Terceiro Andar


O Meu Vizinho do Terceiro Andar


- Tropecei nas escadas e bati terrivelmente com a testa no chão!
Os vizinhos estavam todos boque abertos, ninguém sabia o que me acontecera. Eu também não, Recordo me que vivo no quarto andar.Flat 43. Nenhum dos meu vizinhos (nem os de porta) tem intimidades comigo, ninguém conhece a minha  vida pessoal mas não que eu seja pouco social, só não gosto que ninguém meta o focinho na minha vida.

Agora são exatamente 3 horas e 28 minutos, as agulhas já estão dormentes nas minhas veias, aproximadamente 750 mililitros de soro já correm pelo meu organismo. Dois dias se passam desde o dia em que eu voltava do meu bem remunerável trabalho e o filho da mãe do vizinho do terceiro andar, não sei se foi por maldade ou foi o espirito de exibicionista que o fez jogar  os restos da sobremesa do jantar, aproximadamente  duas toneladas de cascas de bananas estateladas nas escadas onde eu tropecei e bati terrivelmente com a testa no chão.

Se algum dia eu me livrar destas ligaduras e caso recupere a mobilidade do meu braço direito, prometo a mim mesmo adquirir uma licença de porte de arma de fogo,  quero  comprar uma espingarda ou mesmo uma metralhadora.

-  Filho da mãe do meu vizinho do terceiro andar. Alias, ele e toda a família dele, porque pode ter sido a mulher, aquela senhora gorda e feia que só o diabo sabe como amassou aquela face, quis exibir as cascas de banana a todos os moradores do prédio, afinal qual é o africano que não gosta de bananas? Se ela não tivesse exposto aquelas cascas quem saberia que ela tem dinheiro para comprar alguns copitos de arroz, 500 gramas de carapau e ainda sobrarem-lhe trocos para comprar bananas. Ela de certeza não escapava ao calor fervente da bala da minha futura espingarda.

- Ohh.. eu adoro essa espingarda mesmo antes de a ter.  Com ela eu podia mostrar ao Manuelito quem manda la no prédio. Não é um pirralho de 12 anos que vai pensar que só porque o pai conseguiu não sei como, alguns trocados para comprar uma fletzitinha de um quarto e sala  no terceiro andar e entulhar la toda a família dele, isso lhe dá o direito de armar contra min e jogar aquelas cascas de banana de proposito nas escadas do meu prédio de proposito para eu tropeçar e bater terrivelmente com a testa nas no chão.

- Eu vou me vingar. Vou me vingar de todos. Aquela família não merece misericórdia.
-  Mas pode ate ser o cão. Sim aquele rafeiro que não entendo por que motivo o vizinho asqueroso do terceiro andar continua criando aqui no prédio, só preto mesmo. Povo sem cultura pah.

Não reclamo por ser o sindico do prédio  mas por ser um cidadão comum com um salário que poderia sustentar todo o terceiro andar! A minha caçadeira vai fazer churrasco de cão.
– Que brincadeiras são essas?
- Já não se pode andar no prédio a vontade? Agora temos para alem de saltitar pela água imundas que escorrem daquele prédio sujo, temos também que prestar atenção se o vira lata do vizinho do terceiro andar  andou a vasculhar o lixo?
- Cummon... assim também não da., não, não...

Onde estava o guarda afinal?  Por acaso ele acha que eu tenho visão noturna?  Aquele cabrão devia de certeza estar na cave a fornicar uma das filhas do vizinho do terceiro andar enquanto eu deambulava naquelas escadas escuras ate chegar ao ponto de tropeçar nas escadas e bater terrivelmente  com a testa no chão. Eu não sou de caluniar muito menos de difamar alguém mas tenho que desabafar.
-  Eu odeio os meus vizinhos pobres  do terceiro andar, eles não tem classe suficiente para viver num prédio, principalmente com gente do meu status.

Mas analisando bem Aquele imbecil que se julga um chefe de família não tem de certeza dinheiro se que para comprar alfinetes quanto mais bananas! Eu sou o único neste prédio que com tal luxuria. Sim, o terceiro andar é o mais imundos dos pisos daquele prédio, depois de comer as bananas porque é que preciso descer ate ao rés do chão para deitar as cascas? a final um lixosinho aqui, outro ali não faz mal a quem esta habituado a conviver com lixo. Eu joguei lá todas,  todinhas, ali mesmo nas escadas e minha consciência não me pesa sequer um graminha. Mas aquele vizinho do terceiro andar porque é que não pode limpar o lixo ao menos onde gente como eu anda.quanta falta de ética.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Coisas de Africanos


Numa aldeia do interior da província. Numa casa bem modesta vivia a família Tembe. a pobreza era uniforme na aldeia. Porem a família Tembe conseguia ter de vez em quando um bife, alguns ovos frito com pão e salada na mesa do mata-bicho. Isso despertava a atenção e os ciúmes de todos os vizinhos, todos perguntavam-se de onde vinha dinheiro para tal. Andavam rumores que eles tinham ido ao nhanga*.


 O boato foi se espalhando muito rápido que chegou as autoridades provinciais que mandaram um policia para averiguar o caso. Muito curioso, já passa um ano e 7 (sete) meses mas o polícia ainda não deu sequer um sinal de vida. Tudo o que se sabia com certeza é que havia no quintal da família uma casinha a cair aos bocados e lá só mamã Anastancia entrava. Até os membros da família não estavam autorizados a entrar. Acreditava-se que mamã Anastancia era uma grande feiticeira e guardava na casota uma enorme mamba que cuspia dinheiro. As especulações dos populares não eram em vão. A aparência dela não ajudava muito. Ela é uma velha negra, escura, com o rosto todo enrugado aparenta ter uns cento e poucos anos, andava sempre com o corpo coberto de capulanas deixando somente o rosto a mostra. Uma dessas tardes enquanto os netos da velha brincavam no quintal José o netinho querido dela entrou inocentemente na casota. Saiu de lá com cara de quem viu o bicho papão. Perdeu a visão e enquanto tentava explicar o que ele viu foi perdendo a fala aos poucos ate que ficou completamente mudo. Essa foi a gota de agua.


Os Aldeões juntos com o chefe do quarteirão organizaram uma invasão à casa dos Tembes. Estavam todos bem organizados e moralizados para a invasão. Uns com paus outros enxadas, catanas. O ponto de encontro foi na casa do chefe do quarteirão (três casas depois da casa dos Tembes) então começou a marcha.. Tudo o que encontravam pela frente era derrubado. Já na porta principal cada qual sabia como agir. Os mais fortes, os que tinha aparências de super homem, musculosos, com cara de poucos amigos estavam na frente. Esses iam directo para a casota dos fundos. – hoje é o final do mistério. Gritavam os invasores em forma de corro. Mas para o espanto de todos houve algo que não estava previsto. O policial que havia sido enviado para averiguar levantou sua pistola e deu dois tiros ao ar. Houve um silencio absoluto ate pareceu que o vento parou de soprar. Mas isso não intimidou a ninguém. – se ele quiser matar alguém terá de matar a nós todos. Esse era o novo lema. Foram todos para cima do coitado. Pegaram-no e amararam numa arvore que estava por perto. E a invasão seguiu os musculosos seguiram até ao fundo do quintal. Num ápice derrubaram a porta da casota. -Quem entra?
-Quem entra?
Todos tinham medo da Mamba mas o mistério tinha que ser desvendado.
-Entramos todos ao mesmo tempo. Acordaram.


Quando os homens deram o primeiro paço para dentro da casa a velha apercebeu-se da presença deles e deu um grito bem alto. Gritou como um galo ao meio dia. O grito soava a susto, desespero e medo. O coração da velha que tinha ja um século e alguns anos de rodagem não resistiu. Mas antes dela fechar os olhos eternamente os homens puderam ouvir o ultimo pedido da mama Anastáncia!

Meus filhos por favor cuidem bem dos  meus filhos e netos. O dinheiro que esta neste baú é fruto de muito suor e trabalho do meu marido nas minas. Peço que não o retirem da minha família.

Essas foram as ultimas palavras que aquela boca sem dentes tirou.

Por um motivo que não é cientificamente provado  ate hoje, José recuperou instantaneamente a fala e a visão.

Nhanga* = curandeiro num dos dialectos Sul de Moçambique