terça-feira, 28 de setembro de 2010

Coisas de Africanos


Numa aldeia do interior da província. Numa casa bem modesta vivia a família Tembe. a pobreza era uniforme na aldeia. Porem a família Tembe conseguia ter de vez em quando um bife, alguns ovos frito com pão e salada na mesa do mata-bicho. Isso despertava a atenção e os ciúmes de todos os vizinhos, todos perguntavam-se de onde vinha dinheiro para tal. Andavam rumores que eles tinham ido ao nhanga*.


 O boato foi se espalhando muito rápido que chegou as autoridades provinciais que mandaram um policia para averiguar o caso. Muito curioso, já passa um ano e 7 (sete) meses mas o polícia ainda não deu sequer um sinal de vida. Tudo o que se sabia com certeza é que havia no quintal da família uma casinha a cair aos bocados e lá só mamã Anastancia entrava. Até os membros da família não estavam autorizados a entrar. Acreditava-se que mamã Anastancia era uma grande feiticeira e guardava na casota uma enorme mamba que cuspia dinheiro. As especulações dos populares não eram em vão. A aparência dela não ajudava muito. Ela é uma velha negra, escura, com o rosto todo enrugado aparenta ter uns cento e poucos anos, andava sempre com o corpo coberto de capulanas deixando somente o rosto a mostra. Uma dessas tardes enquanto os netos da velha brincavam no quintal José o netinho querido dela entrou inocentemente na casota. Saiu de lá com cara de quem viu o bicho papão. Perdeu a visão e enquanto tentava explicar o que ele viu foi perdendo a fala aos poucos ate que ficou completamente mudo. Essa foi a gota de agua.


Os Aldeões juntos com o chefe do quarteirão organizaram uma invasão à casa dos Tembes. Estavam todos bem organizados e moralizados para a invasão. Uns com paus outros enxadas, catanas. O ponto de encontro foi na casa do chefe do quarteirão (três casas depois da casa dos Tembes) então começou a marcha.. Tudo o que encontravam pela frente era derrubado. Já na porta principal cada qual sabia como agir. Os mais fortes, os que tinha aparências de super homem, musculosos, com cara de poucos amigos estavam na frente. Esses iam directo para a casota dos fundos. – hoje é o final do mistério. Gritavam os invasores em forma de corro. Mas para o espanto de todos houve algo que não estava previsto. O policial que havia sido enviado para averiguar levantou sua pistola e deu dois tiros ao ar. Houve um silencio absoluto ate pareceu que o vento parou de soprar. Mas isso não intimidou a ninguém. – se ele quiser matar alguém terá de matar a nós todos. Esse era o novo lema. Foram todos para cima do coitado. Pegaram-no e amararam numa arvore que estava por perto. E a invasão seguiu os musculosos seguiram até ao fundo do quintal. Num ápice derrubaram a porta da casota. -Quem entra?
-Quem entra?
Todos tinham medo da Mamba mas o mistério tinha que ser desvendado.
-Entramos todos ao mesmo tempo. Acordaram.


Quando os homens deram o primeiro paço para dentro da casa a velha apercebeu-se da presença deles e deu um grito bem alto. Gritou como um galo ao meio dia. O grito soava a susto, desespero e medo. O coração da velha que tinha ja um século e alguns anos de rodagem não resistiu. Mas antes dela fechar os olhos eternamente os homens puderam ouvir o ultimo pedido da mama Anastáncia!

Meus filhos por favor cuidem bem dos  meus filhos e netos. O dinheiro que esta neste baú é fruto de muito suor e trabalho do meu marido nas minas. Peço que não o retirem da minha família.

Essas foram as ultimas palavras que aquela boca sem dentes tirou.

Por um motivo que não é cientificamente provado  ate hoje, José recuperou instantaneamente a fala e a visão.

Nhanga* = curandeiro num dos dialectos Sul de Moçambique

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